quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O peixinho e o gato

O peixinho e o gato - Lenira Almeida Heck

  O Peixinho e o Gato é uma pequena história infantil escrita por Lenira Almeida Heck e com belas ilustrações de Adriana Schnorr Dessoy, e que conta uma aventura emocionante que começa no fundo do mar e culmina com a luta pela vida entre o bravo peixinho Vermelho, capturado por uma rede de pescador, e o seu rival – o terrível Sr. Gato.

Segundo a própria autora, é aconselhável a todas as idades a partir dos quatro anos
.

Vínculos entre o conto popular e a literatura infantil.

Vale a pena tentar apontar alguns pontos que, em nossa visão, poderiam aproximar as narrativas populares da literatura para crianças.
No plano da expressão, do discurso (ou do significante), sabemos que os contos populares sobreviveram ao longo dos séculos de boca em boca, transmitidos por bardos, menestréis e contadores de histórias. Estes, invariavelmente, recorriam a um discurso conciso, a uma linguagem marcada pela expressão oral, fórmulas verbais pré-fabricadas, ditados, frases feitas e a um vocabulário popular e acessível, tendo em vista a comunicação clara e direta com a platéia.
Encontraremos situação análoga na maioria absoluta das obras destinadas ao público infantil: textos concisos, marcados pela oralidade, utilizando vocabulário familiar e construídos com a intenção de entrar em contato com o leitor.
Da mesma forma, no plano do conteúdo, muitos pontos de contato unem os contos populares à literatura infantil. Vamos enumerar apenas alguns deles:
1. A recorrência do elemento cômico. O riso, o deboche, a alegria e o escárnio como revide aos paradoxos contrapostos pela existência;
2. O uso singularmente livre da fantasia e da ficção, muitas vezes como forma de verificação ou experimentação da verdade;
Estes dois primeiros itens, para Mikhail Bakhtin, são índices das mais arcaicas tradições populares.
3. Personagens movidos muito mais por seus próprios interesses, pelo livre arbítrio, pela aproximação afetiva, pelo senso comum, pelos sentidos, pela empatia, pela visão subjetiva, pela busca da felicidade (a moral ingênua referida por André Jolles) do que por uma ética geral, pré-estabelecida, racional, abstrata, uniforme, objetiva, imparcial e impessoal, que pretende determinar, a priori, o certo e o errado. Na literatura infantil, a moral ingênua reaparece regendo personagens que vão de Emília de Lobato e Raquel de A bolsa amarela de Lygia Bojunga ao Menino maluquinho de Ziraldo, parentes, sem dúvida, dos também transgressores e inesperados Juca e Chico, Pinóquio, Alice e Peter Pan;
4. Certos temas e enredos tradicionais remanescentes, ao que tudo indica, de imemoriais narrativas de iniciação, e que poderiam, mesmo que precariamente, ser rotulados como “a busca do auto-conhecimento ou da identidade” (é recorrente em numerosos contos de fadas. Na literatura infantil, surge em obras que vão de Pinóquio e As aventuras de Alice no País das Maravilhas a A bolsa amarela e o Homem que soltava pum ou a “luta do velho contra o novo” (basta lembrar de contos populares como A Branca de Neve e de obras como Peter Pan e, por que não, As aventuras de Alice no País das Maravilhas, A bolsa amarela e o Homem que soltava pum);
5. O uso livre de personificações e antropoformizações;
6. A possilbilidade da metamorfose;
7. As poções, adivinhas, instrumentos e palavras mágicas;
8. Histórias apresentando um caráter iniciático, nas quais o herói parte, enfrenta desafios (é engolido por um peixe, perde a memória, vê-se transformado num monstro etc.) e retorna modificado;
9. Imagens recorrentes como vôos mágicos, monstros, oxímoros etc;
10. O final feliz. Este recurso, presente em inúmeras narrativas populares, é considerado por muitos um índice de alienação. Na verdade, este expediente, utópico por natureza, parece estar enraizado em certas concepções arcaicas como as que preconizam a renovação periódica do mundo (o “eterno retorno”). Por este viés, tudo no mundo é fecundado, nasce, cresce, prospera, decai, apodrece, morre e renasce. Em outras palavras, tudo, no fim, acaba voltando à pureza original, portanto, no fim, tudo dá certo. “Se não deu certo”, diz o ditado popular, “é porque ainda não chegou ao fim”.

A origem da Literatura infantil.

Numerosos estudiosos têm partido do pressuposto de que só se pode, realmente, falar em literatura infantil a partir do século XVII, época da reorganização do ensino e da fundação do sistema educacional burguês. Segundo essa linha de pensamento, antes disso e em resumo, não haveria propriamente uma infância no sentido que conhecemos. Antes disso, as crianças, vistas como adultos em miniatura, participavam, desde a mais tenra idade, da vida adulta. Não havendo livros, nem histórias dirigidas especificamente a elas, não existiria nada que pudesse ser chamado de literatura infantil. Por este viés, as origens da literatura infantil estariam nos livros publicados a partir dessa época, preparados especialmente para crianças com intuito pedagógico, utilizados como instrumento de apoio ao ensino. Como consequência natural deste processo, o didatismo e o conservadorismo (a escola, afinal, costuma ser instrumento de transmissão dos valores vigentes) deveriam ser considerados componentes estruturais, por assim dizer, da chamada literatura para crianças.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O Mundinho Azul


O livro da autora Indrig Biesemeyer Bellinghausen é uma fábula ecológica que mostra a destruição que o homem vem causando ao planeta. Essa destruição, muitas vezes é feita em nome do progresso e o livro vem para propor uma conscientização em defesa da natureza. A autora contribui para o desenvolvimento da ética e da cidadania e também possibilita aos alunos a construção de uma alfabetização ecológica. Ilustrações da própria autora.





 


Dicas de Livros Infantis



Cachinhos Dourados e os Três Ursos é uma história muito popular no mundo inteiro. Teve sua origem no folclore europeu. Sua primeira versão publicada, ocorreu em 1837 pelo poeta Robert Southey em seu livro Os Doutores. Nesta, os três ursos têm a casa invadida por uma senhora, e não por Cachinhos Dourados. Desde então, a história ganhou inúmeras versões, sendo as mais conhecidas, as protagonizadas por uma menina de cachinhos dourados.

A história fala sobre uma menina, muito curiosa, que num passeio pelo bosque, encontra uma casa vazia. Ao entrar, depara-se com tigelas de mingau servida sobre a mesa. Uma grande, outra média e outra pequena. Achou que o mingau da tigela maior estava muito quente e a média muito fria , então resolveu saborear todo o mingau da tigela menor, que estava uma delícia. Após saborear um delicioso mingau, Cachinhos Dourados foi em direção à sala onde avistou três cadeiras. Uma grande, outra média e outra pequena. Resolveu sentar-se na cadeira maior, mas achou muito desconfortável, então passou a experimentar a cadeira média, mas achou que ainda estava desconfortável e grande demais para ela. Por fim, resolveu sentar-se na cadeira pequena, mas ela quebrou-se. Cansada procurou um lugar para dormir. Encontrou um quarto com três camas. Uma grande, outra média e outra pequena. Resolveu deitar-se primeiro na maior, mas achou muito grande e dura resolveu então passar para a média, mas achou macia demais, então deitou-se na cama menor e dormiu um belo sono.Enquanto ela dormia, os donos da casa, que era uma família de ursos, chegaram e estranharam a casa aberta e foram logo reclamando, que alguém havia mexido no mingau que estava sobre a mesa. Após esse susto, passaram para a sala onde encontraram a cadeira menor quebrada. Muito assustados, foram para o quarto e avistaram uma menina dormindo na cama do ursinho. Quando Cachinhos Dourados despertou, assustou-se com os três ursos e saiu correndo pelo bosque, e aprendeu que nunca mais poderia entrar em uma casa sem ser convidada.

O Menino Maluquinho -Ziraldo

É um delicioso livro escrito em 1980 pelo Ziraldo, um imenso sucesso que já vendeu quase três milhões de exemplares. Ele conta a história de um garoto alegre e sapeca, que fazia as coisas que tinha vontade. Agora, eu vos pergunto: em que posição jogava o Menino Maluquinho em suas peladas de futebol?
E eu vos respondo: goleiro. Nada menos do que dez páginas do livro são gastas para contar a vida de goleiro do Menino Maluquinho, posição em que ninguém quer jogar quando criança, mas que ele abraçou com gosto e graça.
Pois bem, no fim do livro o menino cresce e não sabemos que profissão ele seguiu. Porém, desconfio seriamente que ele seguiu a carreira de goleiro. E mais ainda: desconfio que ele tornou-se Marcos, do Palmeiras. Os sinais são claros. Em primeiro lugar, Marcos nasceu em 1973, ou seja, tinha sete anos quando foi lançado “O Menino Maluquinho”, que provavelmente também tinha esta idade.
Outro sinal é que ambos fazem o que lhes dá na telha. Por exemplo, enquanto a maioria dos jogadores venderia a mãe para jogar no exterior, ele decidiu não ir para o Arsenal em 2003. É bem verdade que Marcos chegou até a viajar à Inglaterra para assinar contrato, mas foi a contragosto, e decidiu ficar por aqui: seu pai estava com problemas cardíacos, e a namorada, grávida. E ele tem o raro costume de ser sincero.
Nas entrevistas, enquanto a grande maioria dos jogadores dá entrevistas óbvias, que parecem ditadas por assessores de imprensa, Marcos fala o que realmente lhe vem à cabeça. Foi assim que disse a frase politicamente incorreta: “Fumo um ou dois cigarrinhos quando tomo uma cerveja”. E, quando o criticaram por fumar, retrucou: “Isso deu mais polêmica do que o Giba (do vôlei) ter fumado maconha. Acho que vou mudar para maconha”.
O menino de Oriente, cidadezinha de 6.000 habitantes, tem língua afiada mas é ainda melhor com as mãos. Os palmeirenses jamais esquecerão dos pênaltis que ele defendeu contra o Cruzeiro pela Mercosul ou das suas partidas contra o Corinthians na Libertadores, quando Marcos parecia uma parede de tijolos construída entre os três paus. E os brasileiros em geral hão de lembrar de suas defesas contra a Turquia ou daquela logo nos primeiros minutos da final da Copa de 2002, quando um alemão deu um chute espetacular de fora da área, e Marcos, com a pontinha da unha, desviou a bola para a trave. É claro que ele fez jogos terríveis, como na derrota por 7 a 2 para o Vitória, em pleno Parque Antártica, quando falhou em três gols.
Mas, mesmo neste momento, em vez de jogar a culpa na defesa, assumiu seus erros e disse: “Ainda bem que o Vitória não chutou mais a gol depois do 7 a 2. Eu nem ia pular mais nas bolas”. Em 2007, Marcos parecia caminhar para a aposentadoria. Era uma contusão atrás da outra, e Diego Cavalieri vinha jogando bem. Mas ele se recuperou, mandou o jovem talentoso para a reserva e voltou a ser um dos melhores goleiros do país. Talvez o melhor. E sem deixar de ser simpático e original, pouco se importando com a imagem. “Se me importasse, fazia a barba todos os dias.” 

A poesia Infantil no Brasil

A poesia infantil enquanto gênero literário dirigido às crianças surge no Brasil apenas no final do século XIX. Antes, o que existe são poemas manuscritos, de circulação familiar, feitos de pai ou mãe para os filhos, ou escritos em álbuns de meninas e moças e, eventualmente, incluídos posteriormente nos livros de seus autores junto a outros poemas não escritos para o leitor infantil.
Dentre esses poemas, um dos mais antigos é um soneto de Alvarenga Peixoto (c. 1744-1792), mais conhecido por sua participação na Inconfidência Mineira, frustrado movimento político que tentou tornar o Brasil independente de Portugal, em 1789. Esse soneto inicia pelo vocativo “Amada filha” e, diz a tradição, foi escrito quando sua filha Maria Efigênia completou 7 anos (em torno de 1786). Nele, Alvarenga Peixoto aconselha sua filha a desprezar a beleza, as honras e a riqueza, cultivando a caridade, o amor a Deus e aos semelhantes. O soneto conclui recomendando: “procura ser feliz na eternidade, que o mundo são brevíssimos instantes”.

O acervo poético de Alvarenga Peixoto é um pouco maior do que três dezenas de poemas: na realidade, são conhecidos apenas 33 poemas seus. O acervo conhecido de Bárbara Eliodora (1759-1819), sua mulher, é ainda menor: conhece-se apenas um único poema, “Conselhos a Meus Filhos”, que, como o título sugere, é uma coleção de conselhos. Dentre eles, Bárbara Eliodora adverte que “a lição não faz saber, quem faz saber é o pensar” e recomenda o estudo das fábulas de Esopo.
Esses dois poemas – o soneto de Alvarenga Peixoto e “Conselhos a Meus Filhos”, de Bárbara Eliodora – apresentam um traço que será dominante na poesia infantil brasileira até a primeira metade do século XX: a presença de uma voz poética adulta, que se dirige a um leitor infantil, utilizando o poema como veículo de educação moral.
No século XIX, poetas como Gonçalves Dias (1823-1864) e Casimiro de Abreu (1839-1860) escrevem alguns poemas dedicados a crianças, incluídos em seus livros dirigidos ao leitor adulto. Afora essa produção de poemas esparsos, que não tem intenção de configurar o gênero poesia infantil, no final do século começam a surgir antologias para utilização na escola.

Pode-se dizer, assim, que, no Brasil, o gênero poesia infantil surge de braços dados com a escola, visando principalmente a aprendizagem da língua portuguesa. Não são os escritores que querem ampliar seu público, escrevendo também para crianças, mas os professores que começam a organizar e escrever antologias de textos em prosa e verso para utilização como livros de leitura escolar.
Dentre esses organizadores de antologias, um dos primeiros é o professor João Rodrigues da Fonseca Jordão que, em 1874, publica o Florilégio brasileiro da infância, reunindo poemas que não foram escritos originalmente para o leitor infantil. O Florilégio está organizado por tipos de poemas: sonetos, hinos, odes, baladas, elegias, epicédios, sátiras, epigramas, alegorias, fábulas etc., organização essa que reflete a importância dos estudos de retórica e poética na educação brasileira no século XIX.